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O que acontece no seu corpo quando você não dorme bem, e por que tratar o sintoma não resolve

Você dorme oito horas e acorda cansada. Ou então passa a noite virando de um lado para o outro, com o sono leve que qualquer barulho interrompe. Toma o remédio, consegue dormir, mas pela manhã aquela sensação de descanso real nunca está lá.

Se você se reconhece em alguma dessas situações, o problema provavelmente não é a quantidade de horas que você dorme.

Oito horas não é a história toda

Existe uma crença muito difundida de que basta dormir oito horas para acordar bem. Mas o horário em que você dorme importa tanto quanto a quantidade. Dormir das 23h às 7h é muito diferente de dormir das 2h às 10h, mesmo que em ambos os casos você durma oito horas. O corpo humano tem um ciclo biológico que sincroniza com a luz do dia, com os horários de alimentação e com os ritmos naturais do organismo. Quando você força esse ciclo a funcionar no horário errado, o sono nunca é tão reparador quanto deveria ser, independente de quantas horas você fique na cama.

Isso não é teoria. A medicina chinesa trabalha com os horários dos órgãos há milênios, e a ciência ocidental confirma isso pelo conceito de ritmo circadiano. Cada fase do sono tem uma função específica no organismo, e essas fases acontecem em janelas de tempo que o corpo reconhece. Sair dessas janelas tem um custo.

O que você faz ao acordar já impacta no sono à noite

Outro ponto que poucas pessoas consideram é que o sono começa a ser preparado muito antes de você deitar. O que você come no jantar, a que horas você janta, se você toma café à tarde, quanto tempo passa na frente de telas antes de dormir, se você vai para a cama com a TV ligada, tudo isso envia sinais para o sistema nervoso que vão determinar a qualidade do sono horas depois.

Uma paciente que me procurou com queixa de sono leve e cansaço constante é um exemplo que ilustra bem isso. Ao mapearmos a rotina dela, o quadro ficou claro: trabalhava até tarde da noite, jantava perto das 22h, ia para a cama depois da meia-noite com a televisão ligada. O organismo dela nunca recebia o sinal de que era hora de descansar de verdade.

Ajustamos o horário do jantar para as 19h, reorganizamos a rotina de trabalho para que terminasse mais cedo, e ela passou a deitar às 22h em um ambiente sem telas. Parou também com o café no período da tarde. Na primeira semana já percebeu uma melhora significativa, não só no sono, mas na disposição durante o dia inteiro.

Nenhum medicamento foi necessário. O que foi necessário foi alguém que parasse para perguntar como ela estava vivendo.

Por que o remédio não resolve

O medicamento para dormir faz o que foi criado para fazer: induz o sono. Mas ele não corrige o motivo pelo qual o sono não está vindo naturalmente. É como tomar analgésico todo dia para uma dor que tem uma causa identificável e tratável. Você alivia, mas a causa continua lá.

E existe um custo nesse caminho. O organismo vai se acostumando com a substância, a dose que funcionava começa a não funcionar mais, e a dependência se instala de forma tão gradual que a pessoa muitas vezes não percebe. Sem contar que o sono induzido por medicamento raramente tem a mesma qualidade do sono natural, o que explica por que tantas mulheres tomam o remédio, dormem as horas necessárias e ainda assim acordam sem energia.

O que vale investigar antes de qualquer coisa

Se você tem dificuldade para dormir, antes de aceitar que isso é simplesmente como você é ou que precisa de uma dose maior do remédio, vale fazer algumas perguntas simples. A que horas você janta? Usa celular ou TV até o momento de dormir? Toma café ou outro estimulante depois do almoço? Tem um horário consistente para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana?

Muitas vezes a resposta para o problema está nessas perguntas, não numa receita.

Se você já investigou esses pontos e mesmo assim continua sem dormir bem, ou se quer um olhar mais completo sobre o que está acontecendo no seu corpo, me chama no WhatsApp. A gente conversa com calma sobre o seu caso antes de qualquer decisão.

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